22/07/2020 às 11h23 | 319 visualizações |

O DESMANTELAMENTO NACIONAL EM CURSO

 

Podemos começar mencionando de imediato o grave problema de saúde pública que o Brasil deveria ter enfrentado de uma forma firme e considerando as orientações dos organismos internacionais de saúde, como a Organização Mundial de Saúde (OMS), e de especialistas da área, sejam médicos, biólogos, dentre outros. Mas não, o (des)governo brasileiro preferiu caminhar na contramão de todas as ações importantes de combate para conter o novo coronavírus, inclusive denominando a pandemia de uma “gripezinha”, ou simplesmente negando-a. Subjacente a isso, aventamos que se trata de um projeto – voluntário ou não – de “limpeza social” pelo COVID-19 (ver: https://portaldonorte.com/artigo-salve-se-quem-puder/). O que é gravíssimo, pois não se brinca e nem se coloca a vida em jogo (já estamos chegando aos 60 mil mortos, que tristeza!).

 

Como se não bastasse, o Ministério da Saúde já está no seu terceiro ministro, que não é especialista na área e, talvez por isso, tem procurado se esconder da mídia, uma vez que não aparece para dar entrevistas, no sentido de informar a população brasileira (e isso é um sinal de respeito e amor aos seus irmãos brasileiros) dos números de infectados, da quantidade de vidas perdidas, do estágio da curva de contágio e das ações para achatar a curva e salvar vidas (incluindo as diretrizes traçadas para o fortalecimento do SUS). Ao que parece, a única ação efetiva do Ministério da Saúde que ganhou repercussão nacional foi a tentativa de “manipular” os números de mortos, questionada de forma quase unânime (com exceção dos já “convertidos” ao “bolsonarismo”, estes dificilmente se abrem ao diálogo e ao contraditório). Na área da Saúde, estamos sem direção.

 

No Ministério da Educação, depois das “mentiras” em série do Carlos Decotelli (Doutorado não defendido, etc.), o atual presidente escolheu um novo nome, Renato Feder. Depois de Ricardo Vélez, Abraham Weintraub e o “caso Decotelli” (que foi, mas acabou não sendo!), Feder será o terceiro ministro da pasta. Com Weintraub, não houve diálogo e muito menos projeto de educação para o país. O único esforço deste ministro foi atacar os professores de forma generalizada, chamando-os de “doutrinadores” e formadores de “militantes” de esquerda, e as universidades, vistas por ele como espaço da “balbúrdia”, no qual a droga corria solta. Buscou ainda interferir na forma como os reitores são escolhidos, com o intuito de aparelhar e perseguir aqueles que pensam diferente do (des)governo, porém não obteve sucesso. Saiu “fugido” do país!

 

No Ministério do Meio Ambiente, Ricardo Salles tem contribuído de forma significativa para a degradação do meio ambiente, particularmente da Amazônia, que vem sofrendo com as queimadas. Só no mês de junho, foram identificados 2.248 focos de fogo queimando o coração da floresta tropical, o maior do mês para os últimos 13 anos (conferir: https://g1.globo.com/natureza/noticia/2019/09/02/balanco-das-queimadas-na-amazonia-em-setembro-segundo-o-inpe.ghtml). Como consequência desse processo de destruição da maior floresta do mundo, atingindo de forma dramática a sua biodiversidade e sociodiversidade, temos o comprometimento dos investimentos no país e também o risco de sanções econômicas. Se a “boiada passar rápido”, como consequência, podemos ter uma “terra arrasada”.

 

As relações entre os poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – caminham repletas de farpas e de faíscas. Movimentos (de extrema-direita) que pregam o fechamento do Congresso e do STF ocorreram em diversos domingos, com a presença do atual presidente da República na maioria deles. Membros do governo e ministros amplificam os ataques às referidas instituições, pilares de um regime democrático. Da mesma forma, atacam a imprensa, desqualificando-a e indo até mesmo para a violência física. No limite, estão buscando destruir a democracia brasileira (verificar: https://portaldonorte.com/artigo-a-democracia-nas-cordas/).

 

Na Secretaria de Cultura, tivemos o episódio lamentável do Roberto Alvim, que elaborou um vídeo, com base em elementos e discursos nazistas, que concorreu para a sua queda. Regina Duarte ficou poucos meses na Secretaria, assumindo recentemente Mário Frias. Nesta Secretária, temos efetivamente uma “guerra cultural”, com efeitos nefastos para a arte e cultura brasileira.

 

Ou seja, assuntos nacionais fundamentais como saúde, educação, meio ambiente, cultura e democracia, para ficarmos somente nestes exemplos – existem muitos mais, como a reforma previdenciária, que somada à reforma trabalhista do governo Temer acaba por acelerar a precarização do trabalho, a ausência de uma política nacional e social, a falta de uma política externa, entre outros – estão sem discussão séria e concreta, e sem rumo e direção. Estamos em processo de desmantelamento nacional.

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