06/07/2020 às 23h29 | 240 visualizações |

O GOLPE CIVIL-MILITAR DE 1964 E A NEGAÇÃO DA HISTÓRIA

NEGAÇÃO DA HISTÓRIA

 

 

 

Estamos vivendo um momento de desinformação e de negação da História. Afirmações como o Nazismo é de esquerda, Marx inventou o comunismo, o holocausto não existiu e a esquerda é o único e grande problema da humanidade, consubstanciando-se em inimigo a ser combatido de corpo e alma, não só aparecem constantemente por aí como são propagadas oficialmente pelo atual (des)governo. A que ponto chegamos!

No dia 31 de março de 2020, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão (General ele é lá na caserna!), atribuiu o que ocorreu em 1964 como um marco da liberdade no Brasil. Isso mesmo! Até acho que daqui a pouco Mourão montará num foguete e, tendo mais sorte do que aquele personagem (Mike Hughes) que perdeu a vida fazendo justamente isso, com a finalidade de atingir uma dada altura para ver o quão plana é a terra (pois não há tecnologia para isso né!), tentará ver se a terra é redonda mesmo.

Mourão está indo contra a Ciência Histórica, que já demonstrou de diversas formas, por intermédio de estudos desenvolvidos por um conjunto de pesquisadores da área, que houve um golpe no Brasil no ano de 1964, realizado pelos militares em articulação com setores específicos da sociedade civil da época, e com apoio norte-americano.

Pesquisadores como Carlos Fico, por exemplo, tem várias obras acerca do contexto do golpe de 1964, mas também sobre os pilares da repressão (espionagem, polícia política, censura e propaganda). Podemos indicar aqui o livro “O golpe de 1964: momentos decisivos” e um capítulo presente na obra O Brasil Republicano, volume 4, intitulado “Espionagem, polícia política, censura e propaganda”, para ficarmos apenas nesses exemplos.

Já Daniel Aarão Reis Filho, que se debruçou sobre esse momento histórico, analisou as relações estabelecidas entre o Estado, a sociedade e a esquerda em seu livro “Ditadura militar, esquerdas e sociedade”. E, para finalizar, mencionamos também Jorge Ferreira, que perscrutou sobre o momento do golpe em seu texto “O governo Goulart e o golpe civil-militar de 1964”, e Marco Napolitano, que inclusive desconstrói o mito da “ditabranda” na sua obra “1964: História do regime militar brasileiro”.

Poderíamos continuar citando pesquisadores da área de História e seus resultados de pesquisa (científica) sobre esse período, materializados em livros, artigos, teses e dissertações. Tudo isso ignorado na onda do ataque à ciência, sobretudo às Ciências Humanas e às universidades.

É possível entender os motivos pelos quais Jair Bolsonaro sempre indica como seu livro de cabeceira “a verdade sufocada” de Carlos Alberto Ustra. É porque querem sufocar a Ciência Histórica e o conhecimento histórico produzido em seu âmbito. Querem sufocar a história, negando-a e distorcendo-a!

Mas os historiadores estão a postos nos “combates pela História”.

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